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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Chá de sumiço

Volta e meia ouço o que ouvimos: tomou um chá de sumiço, foi?
Esse famoso chá, que não tem cheiro, sabor, mas tem veracidade.
Estou meio preso as raízes de meu recanto, meu canto está silenciado, perdi a pouca sagacidade restante, ando da cama para a mesa, reescrevo textos inéditos, ouço infindáveis melodias.
Tenho evitado evitar as coisas, tenho tentado tentar as pessoas, pôr o dedo em feridas alheias (não aconselho), o que me trouxe um pouco de paz, talvez por está quase sempre sozinho. Não que eu tenho me afastado das pessoas, elas que se afastam de mim, sinto a necessidade de mudar, de provar o novo, sem esquecer-me do velho.
Ando abastado das coisas, olho ao longe, mas nada vejo... Penso, em indispensáveis besteiras, entre elas, uma coisa que percebi importância de grande tamanho, o tal, o tal, o tal chá de sumiço, será ele real? Se real qual será sua composição, vários e vários compostos aromáticos?
Andando cabisbaixo, da cama para a mesa, reescrevendo textos inéditos, ouvindo infinitas melodias. Seria o tal, feito de um pouco de tristeza e uma leve dose de preguiça?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Pano, Linha... Amor

A consagrei-a mais bela de todas, que encanta meu canto no chuveiro, alegra minha poesia diária e incita minha oração noturna.
Em um vestido de renda me arrendou o coração, simplicidade cativa com evidente beleza altiva. Me cativa sua simplicidade, quase sempre de cabeça em pé e com sorriso no rosto, com bola pra frente e bola no chão.
Pensei em uma consagração mais nobre: princesa, deusa, rainha... Porém, nenhum título se mostrou nobre perante sua alusão, então achei conveniente ser conveniente e não penso em idolatrá-la, mas sim, em uma garota feita de pano, com linha, agulha e amor.
Passei a ser o mais lúdico dos apaixonados, segreguei-me da vaidade e agreguei-me na amplitude do ser, no seu sorriso e em sua preocupação, sem sentido quase sempre, já que quase sempre fomos afastados e abastados um do outro. Veio-me sem avisar, sem mandar prefácio ou pré-texto, ignorou a regra e a exceção, e talvez sem interesse, me teve completamente em mãos.
Decidi deixar-me alucinar, adormecer assustado procurando quem nunca vi ao lado, e assim, dia após dia, irei seguir o que reza a lenda e o que manda a prenda, deixar a beleza do “ser”, ser, vou deixar-la livre, para assim um dia quem sabe, possa bater em minha porta, possa e passe a se encantar por meu canto, que nesse dia sinta-se a vontade para se acomodar em meu recanto, boneca de pano minha, minha prece é que se apresse...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um Passo a Mais

De ontem em diante não estou mais parado, dei um passo pequeno, ou talvez, enorme.
A partir deste, passei do repouso ao movimento, em funções horárias indescritíveis, sai do zero e me aproximei do infinito.
Tenho medo desta iniciativa. O passo pode ser progressivo ou retrógrado, benéfico ou maléfico, saudável a mim e a outros, ou não.
Passo este impossível de ser estudado, com várias variáveis e detalhes infinitos.
Sinto que o acontecimento pode mudar minha vida, talvez não amanhã, ou daqui a uma semana, pode durar meses ou anos, mas algo acontecerá. Bate-me o medo. Qual a conseqüência, qual o grupo a ser unido, qual segregação este feito se agregará?
Não há respostas, deixo-te uma “...”.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Quem matou a poesia?

Enquanto todos riem, nós fazemos rir, enquanto se divertem, trabalhamos.
Mataram a poesia, mas a ascendemos novamente. Mataram a poesia, não foram os “Deuses”, nem os jabás, mas sim a ultima palavra, a que faz vozes se dispersarem, versos se calarem, colocarmos um sorriso de ironia, aonde deveria existe alegria.
Fazemos o melhor e o pior, trabalho luminoso e sórdido, leve e árduo, para aqueles que ignoram, a cada dia, a mãe de todas as paisagens, palavras, verdades e mentiras. Mãe e pai da mentira, essa mesma que necessita incontrolávelmente de uma verdade.
Diminuiram nossa criadora de cobras, aquela que me ensinou a mentir por uma verdade, disse-me que uma mentira necessita de uma verdade, ensinou-me a não fazer do problema um problema.
De que adiantou? Mataram a alegria, dispersaram pensamentos, jogaram embaixo do tapete nossa mentira mais real.

(link) “as mentiras da arte são tantas... são plantas artificiais. Artifícios que usamos para sermos (ou parecermos)... mais reais”. Lendário, Humberto Gessinger.

sábado, 5 de junho de 2010

Hoje eu acordei mais leve


Abri os olhos lentamente, talvez por medo de não encontrar-la, ou de encarar olhos iguais aos dela. Olhos estes que pouco vi, mas muito despertaram a curiosidade de um principiante no labirinto das fantasias românticas, fantasias estas que me alegram, despertam para a realidade.
Tentei me preparar para abrir os olhos, percebi que era cedo, tanto para abrir como pela hora, tentei raciocinar um instante, permanecia numa espécie de estado vegetativo.
Imaginei cuidadosamente cada traço do rosto daquela mulher, na verdade, acho-a mais parecida com uma boneca de pano que com mulher, a mais bela boneca de pano, olha-me de tal maneira que, faz um sentimento anormal que flora no fundo do poço sem fundo de meu coração, talvez o olhar direcionado a mim não passe de ilusão.
- está na hora, vou abrir e vou dar-lhe um belo sorriso de boa noite... 1, 2, 3 e já: ...
Passei o dia inquieto, pensativo, desmotivado, desamparado. Escrevi uma carta, daquelas sem destinatário, sem pista de remetente.
Lembro-me apenas de um sorriso, no momento do ponto final, talvez de alegria ou ironia, sorriso em um final de tarde, sem pôr-do-sol, somente com olhos no horizonte de minha alma ou talvez na lua... na varanda, no tudo do nada, pra ser sincero, se é que aqui posso ser.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crescer Dói

Passamos anos com pessoas fantásticas (pelo menos para nós), mas chega o dia das despedidas, estas que não são nenhum pouco saudáveis.
Quando crianças, vamos descobrindo a cada dia o quão grande é o mundo, e que a cada dia podemos chegar mais longe e conquistar coisas nunca então imaginadas, fazemos amigos, criamos romances, monstros e heróis. Mas chega o dia de deixarmos o maravilhoso mundo quixotista de lado, ou melhor, para trás.
Entramos em um mundo paralelo, tão que as vezes somos obrigados, necessários a retornar ao maravilhoso mundo das ilusões para nos refugiarmos. Algumas pessoas continuam juntas desde o mundo quixotista, passamos anos, não formamos mais romances globais mas sim, romances literários, formulamos falsos amores, sofremos com falsas e verdadeiras ilusões, rimos com falsas e verdadeiras coisas que não fazemos delas um problema sequer.
Há o dia em que tomamos coragem, sofremos bastante, enfrentamos uma Guantánamo pessoal, quando deixamos o coletivo pelo individual, o plural pelo singular, chega o dia de deixarmos na estrada amigos, minimigos, transeuntes. Saímos em busca de novos horizontes (se não for isso o que será?), deixamos aqueles que um dia serão tudo, para darmos vaga a novos que já foram.
Todos continuam para sempre conosco, mas o passado não é lembrado como o amanhã, e o presente se faz banal como um amor verdadeiro.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Meus Moinhos de Vento

 
Vivo andando alheio ao mundo, aos outros e ao nada. Talvez me taxem de louco um dia.
Não considero a loucura algo assustador, na realidade considero algo mágico, pois o que chamam de loucura nada mais é que a porta da liberdade aberta, onde passamos e deixamos escancarada para quem sabe um dia voltarmos à triste realidade (aquilo que chamam de real).
Não se espantem se me virem falando sozinho no meio da rua (é de praxe), não estranhem se chegarem em minha casa e me virem todo suado de tanto jogar uma tampa na parede e tentar fazer o gol em uma trave que na realidade é a pia de lavar roupa, onde há adversários e aliados. Não se assustem se eu lhes apresentarem o “R”, meu advogado do diabo, não se afastem se eu agir de várias maneiras diferentes repentinamente (não é TOC, pelo menos espero que não), é somente mais um Dom Quixote da vida se erguendo no mundo, que está explodindo o que a muito reprimiu.
Sou tão normal quanto um normal, aliás, a normalidade sim é uma coisa estranha e sem graça.
Nossa vida é baseada em três princípios: compreensão, destruição e reconstrução (outro dia falo mais sobre isso), com base nisso podemos ver que nada é para sempre, mas não podemos esquecer que não há volta pra nada, então por que tentarmos só compreender? Podemos destruir para trazer o novo, só tento destruir um pequeno tempo de minha “normalidade” com coisas que realmente me interessam. Meu mundo de ilusão, minha real realidade.
Todos temos moinhos de vento, só contei alguns meus.